sexta-feira, 26 de junho de 2026

Programa de rádio Leituras e Companhia participa em Encontro Regional de Meios de Comunicação Escolares

O Leituras e Companhia, programa semanal de rádio da responsabilidade da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas, emitido ao sábado na Barca FM | 99.6, participou como convidado no I Encontro Regional dos Meios de Comunicação Escolares, Verdade ou Consequência.

Promovido pelo Agrupamento de Escolas de Freixo e pelo seu jornal digital Comunica,  em parceria com o Observatório sobre Media e Informação e Literacia (MILObs) da UMinho, o encontro incluiu um painel subordinado ao tema “A escola perante o mundo atual: o que discutir e porquê?”.

Com a moderação da jornalista Fátima Faria, da RTP, o painel contou com intervenções do professor Renato Ferreira, mentor e responsável pela produção do Leituras e Companhia, e também da jornalista Cláudia Lobo e de Magda Costa, do Conselho Executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP).

Foi mais uma oportunidade para partilhar a prática de excelência que é o programa de rádio, um projeto iniciado em novembro de 2012 e que, de uma forma ininterrupta, mesmo no período de férias, trabalha, semanalmente, as literacias da leitura, da informação, mediática e digital, exercitando os domínios da escrita e da oralidade.

Na sua intervenção, o professor Renato Ferreira explicou o processo de produção do programa, tendo reforçado o cuidado na recolha de informação, a confirmação das fontes, o cruzamento de dados, a seleção de textos, a elaboração de sínteses e ainda o desenvolvimento das competências leitoras.

Como mais-valia deste trabalho, realçou ainda as muitas leituras e pesquisas sobre variados assuntos, que resultam na acumulação de um saber mais consistente sobre determinados assuntos por parte dos colaboradores, o que lhes permite discernir e avaliar de forma ponderada e assertiva a informação com que são confrontados.

Sublinhou também que, como projeto de liberdade, a vertente humanista está presente nas muitas crónicas de opinião, nomeadamente na rubrica Opiniões de Segunda, que expressam, de uma forma singular, a assertividade de ver a pessoa e o mundo, segundo padrões éticos. Atentos à realidade, manifestam preocupações, sonhos e projetos de jovens que procuram ser felizes, solidários com o Outro, segundo ideais, valores e princípios estruturados na dignidade humana.

Inteligência Artificial, espírito crítico e Educação

Outro aspeto abordado foi a influência da Inteligência Artificial na difusão de notícias, muitas vezes falsas, situação que exige um apurado espírito crítico que conduza a um trabalho de certificação das fontes, para apurar a verdade dos factos.

Neste contexto, o professor Renato Ferreira reforçou a ideia da necessidade imperiosa do uso da IA, com transparência e responsabilidade, e do desenvolvimento ativo do espírito crítico para mitigar a desinformação automatizada. Sobre os algoritmos nas redes sociais e dos modelos de linguagem que moldam a nossa perceção da realidade, sublinhou urgência da criação de mecanismos de defesa intelectual e tecnológica, pois a IA gera conteúdos com base em probabilidades e não em verdades absolutas.

Quanto à utilização da IA na escola, o represente do Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca considerou que a IA já entrou nas salas de aula – antes de haver um consenso sobre como usá-la, muito menos reformas curriculares bem planeadas –, quase sempre pela mão dos próprios alunos, sem critérios definidos, com todos os riscos e incertezas.

O professor Renato Ferreira mostrou-se, no entanto, otimista face às virtualidades da IA neste âmbito e, a propósito, citou Marco Bento, da Escola Superior de Educação de Coimbra: “integrar a IA na sala de aula resultaria numa ‘mudança radical’ do modelo de aprendizagem no qual o currículo educativo deixaria de ser transmitido e ‘passaria a ser construído em conjunto’”.

Esta premissa pressupõe um renovado papel do professor como facilitador, mentor e curador do conhecimento, fomentando a curiosidade, promovendo o pensamento crítico e orientando os alunos para o uso ético da tecnologia, concluiu o professor Renato Ferreira.

Saber desmontar uma notícia

No encontro estiveram também presentes as professoras Flora Ribeiro e Cristina Pires e e ainda o aluno Valentim Cerqueira, colaborador residente do programa Leituras e Companhia, que, no período da manhã, participou num workshop com outros alunos e professores, subordinado aos temas “Como descomplicar a informação nas redes” e “o que pode ser notícia na escola? Critério, ideias e práticas”.

Tiveram oportunidade de “desmontar uma notícia de uma influencer” que induzia os seguidores em erros alimentares. No processo de certificação da informação, Valentim Cerqueira consultou fontes, cruzou dados, redigiu a notícia, gravou-a e publicou-a, seguindo o protocolo estabelecido, tendo merecido os aplausos de todos os participantes no encontro.

De facto, numa sociedade em que todos produzem e partilham conteúdos, mergulhando o público num oceano de informação, é fundamental fazer apelo aos princípios éticos, com a interrogação acerca do que dizer, como dizer e porquê dizer, na medida em que tudo o que comunicamos tem um impacto, acarreta consequências.

Daí o desafio da cidadania, aprendendo a questionar, a confrontar, a argumentar, a procurar a verdade, a pensar no valor da informação, no poder da comunicação, nas consequências da mentira e da desinformação e no papel que a escola pode e deve ter na construção de uma sociedade mais informada e mais participativa.

Biblioteca Escolar

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