Programa de rádio Leituras e Companhia participa em Encontro Regional de Meios de Comunicação Escolares
O Leituras e Companhia, programa semanal de rádio da responsabilidade da
Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas, emitido ao sábado na Barca FM |
99.6, participou como convidado no I Encontro Regional dos Meios de
Comunicação Escolares, Verdade ou Consequência.
Promovido
pelo Agrupamento de Escolas de Freixo e pelo seu jornal digital Comunica, em parceria com o
Observatório sobre Media e Informação e Literacia (MILObs) da UMinho, o
encontro incluiu um painel subordinado ao tema “A escola perante o mundo atual:
o que discutir e porquê?”.
Com
a moderação da jornalista Fátima Faria, da RTP, o painel contou com
intervenções do professor Renato Ferreira, mentor e responsável pela produção
do Leituras e Companhia, e também da jornalista Cláudia Lobo e de Magda
Costa, do Conselho Executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais
(CONFAP).
Foi
mais uma oportunidade para partilhar a prática de excelência que é o programa
de rádio, um projeto iniciado em novembro de 2012 e que, de uma forma
ininterrupta, mesmo no período de férias, trabalha, semanalmente, as literacias
da leitura, da informação, mediática e digital, exercitando os domínios da
escrita e da oralidade.
Na
sua intervenção, o professor Renato Ferreira explicou o processo de produção do
programa, tendo reforçado o cuidado na recolha de informação, a confirmação das
fontes, o cruzamento de dados, a seleção de textos, a elaboração de sínteses e
ainda o desenvolvimento das competências leitoras.
Como
mais-valia deste trabalho, realçou ainda as muitas leituras e pesquisas sobre
variados assuntos, que resultam na acumulação de um saber mais consistente
sobre determinados assuntos por parte dos colaboradores, o que lhes permite
discernir e avaliar de forma ponderada e assertiva a informação com que são
confrontados.
Sublinhou também que, como projeto de liberdade, a vertente humanista está presente nas muitas crónicas de opinião, nomeadamente na rubrica Opiniões de Segunda, que expressam, de uma forma singular, a assertividade de ver a pessoa e o mundo, segundo padrões éticos. Atentos à realidade, manifestam preocupações, sonhos e projetos de jovens que procuram ser felizes, solidários com o Outro, segundo ideais, valores e princípios estruturados na dignidade humana.
Inteligência Artificial, espírito
crítico e Educação
Outro
aspeto abordado foi a influência da Inteligência Artificial na difusão de
notícias, muitas vezes falsas, situação que exige um apurado espírito crítico
que conduza a um trabalho de certificação das fontes, para apurar a verdade dos
factos.
Neste
contexto, o professor Renato Ferreira reforçou a ideia da necessidade imperiosa
do uso da IA, com transparência e responsabilidade, e do desenvolvimento ativo
do espírito crítico para mitigar a desinformação automatizada. Sobre os
algoritmos nas redes sociais e dos modelos de linguagem que moldam a nossa
perceção da realidade, sublinhou urgência da criação de mecanismos de defesa
intelectual e tecnológica, pois a IA gera conteúdos com base em probabilidades
e não em verdades absolutas.
Quanto
à utilização da IA na escola, o represente do Agrupamento de Escolas de Ponte
da Barca considerou que a IA já entrou nas salas de aula – antes de haver um
consenso sobre como usá-la, muito menos reformas curriculares bem planeadas –,
quase sempre pela mão dos próprios alunos, sem critérios definidos, com todos
os riscos e incertezas.
O
professor Renato Ferreira mostrou-se, no entanto, otimista face às
virtualidades da IA neste âmbito e, a propósito, citou Marco Bento, da Escola Superior
de Educação de Coimbra: “integrar a IA na sala de aula resultaria numa ‘mudança
radical’ do modelo de aprendizagem no qual o currículo educativo deixaria de
ser transmitido e ‘passaria a ser construído em conjunto’”.
Esta premissa pressupõe um renovado papel do professor como facilitador, mentor e curador do conhecimento, fomentando a curiosidade, promovendo o pensamento crítico e orientando os alunos para o uso ético da tecnologia, concluiu o professor Renato Ferreira.
Saber desmontar uma notícia
No encontro
estiveram também presentes as professoras Flora Ribeiro e Cristina Pires e e
ainda o aluno Valentim Cerqueira, colaborador residente do programa Leituras e
Companhia, que, no período da manhã, participou num workshop com outros alunos
e professores, subordinado aos temas “Como descomplicar a informação nas redes”
e “o que pode ser notícia na escola? Critério, ideias e práticas”.
Tiveram
oportunidade de “desmontar uma notícia de uma influencer” que induzia os seguidores
em erros alimentares. No processo de certificação da informação, Valentim
Cerqueira consultou fontes, cruzou dados, redigiu a notícia, gravou-a e
publicou-a, seguindo o protocolo estabelecido, tendo merecido os aplausos de
todos os participantes no encontro.
De
facto, numa sociedade em que todos produzem e partilham conteúdos, mergulhando
o público num oceano de informação, é fundamental fazer apelo aos princípios
éticos, com a interrogação acerca do que dizer, como dizer e porquê dizer, na
medida em que tudo o que comunicamos tem um impacto, acarreta consequências.
Daí
o desafio da cidadania, aprendendo a questionar, a confrontar, a argumentar, a
procurar a verdade, a pensar no valor da informação, no poder da comunicação,
nas consequências da mentira e da desinformação e no papel que a escola pode e
deve ter na construção de uma sociedade mais informada e mais participativa.
Biblioteca
Escolar
















