sábado, 25 de maio de 2024

Sarau Poético celebra Camões 

e os valores de Abril

A Festa da Palavra bem dita encheu o auditório da Feira do Livro do Município, dando corpo a um Sarau de Poesia, que mobilizou alunos dos 1.º ao 12.º anos, familiares, amigos e professores e ainda o coro dos alunos do Ensino Livre de Música e a Classe de Iniciação da Academia de Música de Ponte da Barca.

O sarau, que este ano se integrou na programação da Feira do Livro,  foi um momento para exaltação da Palavra dita e cantada, celebrando, de uma forma especial, a língua portuguesa e Camões, a propósito da passagem dos 500 anos do nascimento do nosso épico, e ainda os valores da Revolução dos Cravos, cujo cinquentenário se continua a assinalar.  

Perante uma numerosa plateia, sempre atenta e reconhecida aos múltiplos desempenhos, várias dezenas de participantes deram voz à Poesia, partilharam emoções e sentiram a riqueza e a beleza da Arte.

A encerrar, o coro dos alunos do Ensino Livre de Música e a Classe de Iniciação da Academia de Música de Ponte da Barca, orientados pelos professores Carina Ventura e João Pedro Azevedo, com o professor Pedro Carlos Silva ao piano, interpretaram dois temas emblemáticos de Abril (“Somos livres”, de Ermelinda Duarte, e “Grândola, vila morena”, de José Afonso), concluindo o Sarau com a “Marcha de Ponte da Barca”, de Manuel Parada. 

Entre os presentes, estiveram o Diretor do Agrupamento de Escolas, Carlos Louro, e a Vereadora da Educação e Cultura, Rosa Maria Arezes.

Nas suas intervenções, ambos felicitaram os participantes, familiares e organizadores do evento e enalteceram a importância da leitura e o poder da Palavra, enquanto ferramentas que alargam horizontes e ajudam a interpretar o mundo e a vida com lucidez.

“Viva a Poesia” é a mensagem intemporal que a todos continua a inspirar…

A Organização

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Entrega dos prémios do Concurso de Leitura

Os alunos do Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca que obtiveram melhor desempenho na edição deste ano do concurso de leitura receberam os respetivos prémios.

A sessão de entrega do cheque-livro patrocinado pela Câmara Municipal aconteceu no âmbito da programação da Feira do Livro que, até ao próximo domingo, está aberta ao público, na Praça da República.

Premiados da Educação Pré-escolar
Na Educação Pré-escolar, os prémios foram entregues aos Finalistas da Escola Básica Diogo Bernardes (1.º lugar), à Turma A da Escola Básica de Crasto (2.º lugar) e à Turma A da Escola Básica de Entre Ambos-os-Rios (3.º lugar).

Premiados do 2.º Ciclo

Já no 2.º Ciclo, os galardoados foram, respetivamente, Tomás Veloso, do 6.º ano, Núria Gonçalves, do 6.º ano, e, na terceira posição, “ex aequo”, Leonor Rocha, também do 6.º ano, e Letícia Ferra, do 5.º ano.

Premiados do 3.º Ciclo

Por sua vez, no 3.º Ciclo do Ensino Básico, Francisco Cerqueira, do 7.º ano, foi o primeiro classificado, seguindo-se Guilherme Rangel, também do 7.º ano, e Inês Cerqueira, do 9.º.

Premiados do Secundário

No Ensino Secundário, os premiados foram Leonor Alpoim (12.º ano), Rodrigo Novo (12.º ano) e Bárbara Fernandes (10.º ano).

Nas suas intervenções, tanto o Diretor do Agrupamento, Carlos Louro, como o Presidente da Câmara Municipal, Augusto Marinho, felicitaram os premiados e todas as estruturas envolvidas na operacionalização do concurso e enalteceram a importância da leitura como ferramenta que nos alarga horizontes e nos habilita a uma perspetiva abrangente e lúcida do mundo e da vida.

A Organização

sexta-feira, 17 de maio de 2024

CONVENTO DOS CAPUCHOS EM SINTRA

Visita ao refúgio de Frei Agostinho da Cruz durante 45 anos

Entre 1560 e 1605, Frei Agostinho da Cruz, o poeta espiritual nascido em Ponte da Barca, viveu no Convento dos Capuchos em Sintra.

Andarilho.pt

Foram 45 anos na mais completa austeridade e plena comunhão com a natureza, dando vida a uma forma de estar profundamente inspiradora, mais ainda agora em que vamos descobrindo os desafios da sustentabilidade e da redução da pegada ecológica.

Pela mão de “andarilho.pt”, propomos uma visita ao Convento, “o refúgio dos frades franciscanos que parece saído de um mundo encantado”.

Biblioteca Escolar

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Nos 484 anos de FREI AGOSTINHO DA CRUZ

Passa, hoje, mais um aniversário de Agostinho Pimenta, aliás, de Frei Agostinho da Cruz, um dos vultos maiores da nossa Cultura, nascido em Ponte da Barca, a 3 de maio de 1540. Já lá vão 484 anos…

Aguarela de João Salvador Martins.

Quando o batizam, dão-lhe um nome premonitório: Agostinho é o seu nome, porque está chamado a ser augustus, consagrado, venerável.

A família é letrada e Diogo, o irmão mais velho, é um exemplo e uma inspiração. De tal modo que, por volta dos 15 anos, já o encontramos em Lisboa, ao serviço do Infante D. Duarte, mecenas das Letras, sobrinho de D. João III e primo de D. Sebastião.

Aguarda-o o convívio nos círculos mais cultos e influentes do Reino. Ao serviço do Infante, cresce e amadurece e lança voos na arte poética, ao mesmo tempo que a todos encanta com o seu fino trato e alegre companhia.

Neste meio de eleição, Agostinho contacta com fidalgos da Casa de Aveiro, o Duque D. Álvaro de Lencastre e o seu filho, D. Jorge. Deste convívio resulta um especial afeto que perdurará no tempo...

Até que, na verdura da juventude, surpreende tudo e todos com a decisão radical de vestir o hábito de religioso.

Santa Cruz de Sintra: W.Rebel - Obra do próprio,
CC BY-SA 3.0 cz, https://commons.wikimedia.org.

Ao celebrar 20 anos de idade, inicia o noviciado em Santa Cruz de Sintra. Um ano depois, precisamente a 3 de maio de 1561, Dia da Santa Cruz, toma o hábito da rigorosa Ordem dos Capuchos Arrábidos, com o nome conventual de Frei Agostinho da Cruz.

Nas próximas quatro décadas e meia, o Convento na serra de Sintra será a sua nova morada… Numa austeridade absoluta, em ascese permanente.

Mudado o nome e a vida, todo ele se dá ao canto da beleza da criação e à contemplação e ao louvor da Cruz.

Já estamos em 1605!

Convento dos Capuchos da Arrábida: Igiul - Obra do próprio,
CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org.

O sonho da vida de eremita

Ao longo do tempo, Frei Agostinho nunca aceita Guardianias, apesar de ter sido eleito para elas. Mas, ao fim de 45 anos de hábito religioso, em 1605 assume a do Convento de S. José de Ribamar, em Algés.

Tem, agora, um novo desafio, ainda que por pouco tempo. Porque, nesse mesmo ano de 1605, consegue, finalmente, a tão desejada autorização para uma vida eremítica, na Arrábida.

Conta 65 anos e é no isolamento da serra que vai passar os restantes 14 da sua vida. Em completo isolamento.

O frade arrábido está, finalmente, onde sempre desejou estar, contemplando os largos horizontes da Arrábida, donde se vê mais perto o céu:

        “(…) Verás no mar Oceano alevantados

        Os golfinhos dar saltos para o Céu,

        Da formosura dele convidados.

                   (…) Verás dos baixos vales saudosos

                   Alevantar, cantando, os passarinhos,

                   Do Céu mais que da Serra cobiçosos.

        Verás dos verdes bosques mais vizinhos,

        Donde foram nascidos, sair fora

        E vir a visitar-me os meus bichinhos.”       

Segundo os biógrafos setecentistas, consegue na Arrábida uma tal sintonia com a Natureza, que os animais selvagens vinham comer-lhe à mão.

No tempo que lhe resta das suas obrigações e orações, compõe versos e faz bordões, que oferece aos frades e aos Duques e Duquesas, que o visitam.

Foi visto muitas vezes a derramar lágrimas de espiritual consolação, fora de si, numa enchente de graça com que o Senhor lhe inundava o espírito.

Painel de azulejos no Convento da Arrábida (https://commons.wikimedia.org/). 

Legado continua vivo

Até que, em março de 1619, uma aguda febre leva-o à enfermaria que os Capuchos Arrábidos tinham em Setúbal. Acabaria por falecer na noite do dia 14.

Sepultado junto à sacristia da Igreja da Arrábida, o seu funeral reúne uma multidão incontável, com algumas das principais personalidades de então.

Conta-se que, durante muito tempo, o seu túmulo foi um local de romagem.

Passados 405 anos, o legado de Frei Agostinho da Cruz continua vivo: uma obra poética que reflete uma profunda inquietação existencial e uma forte inspiração religiosa e bucólica.

A Natureza, a Serra e o mar ao fundo, são o paraíso perdido, o reino da paz, a morada da plenitude:

            “Quieto, vive só, livre e contente,

            Com plantas e com feras conversando,

            Não conversando amigo, nem parente.

                   Assim, noites e dias vão passando,

                   Tendo posta no Céu sua esperança,

                   E da terra a si mesmo desterrando.

            Enfim, que não repousa nem descansa,

            Senão no Sumo Bem que só deseja,

            Enlevado na bem-aventurança.”         

Neste tempo que vai descobrindo os desafios da sustentabilidade e a urgência da mitigação da pegada ecológica, o canto sublime da comunhão do Homem com a Natureza constitui, de facto, um desafio incontornável. Um convite intemporal à fruição…

Passados 405 anos, o legado humanista de Frei Agostinho da Cruz, como homem e como poeta, mantém-se vivo e inspirador.

Ponte da Barca e o(s) Poeta(s)

Até há pouco mais de 100 anos, o nome de Frei Agostinho da Cruz esteve associado ao espaço central da vila de Ponte da Barca. O largo em frente ao Hospital da Misericórdia chamava-se Campo de Frei Agostinho da Cruz.

Mas, a 12 de janeiro de 1911, a Comissão Municipal deliberou que fosse “dado o nome de ‘Praça da República’ ao Campo de Frei Agostinho da Cruz, desta vila”. E, assim, o nosso poeta-místico foi arredado da toponímia da sua terra-natal. Só há pouco tempo é que passou a ter uma Praceta com o seu nome, em frente à Escola Básica Diogo Bernardes…

Praceta Frei Agostinho da Cruz, em Ponte da Barca.

Em 1940, Ponte da Barca celebrou o 4.º centenário do seu nascimento, com os dois irmãos a inspirarem a designação de “Jardim dos Poetas”, onde foi construído um monumento evocativo. Foram ainda os patronos do Centro Cultural Frei Agostinho da Cruz e Diogo Bernardes, fundado em 1983.

Prof. Luís Arezes (PB)

sexta-feira, 26 de abril de 2024

25 DE ABRIL, SEMPRE!

A Biblioteca Escolar da Escola Básica Diogo Bernardes respira Abril.

Um conjunto alargado de trabalhos produzidos pelo 1.º Ciclo dá vida aos valores da Revolução dos Cravos e alimenta uma mensagem intemporal: “25 DE ABRIL, SEMPRE!”


Biblioteca Escolar

quinta-feira, 25 de abril de 2024

A CANTIGA É UMA ARMA

"GRÂNDOLA, VILA MORENA" (1971)

Há 50 anos, mais precisamente, aos 20 minutos do dia 25 de abril de 1974, foi para o ar, no programa “Limite” da Rádio Renascença, a cantiga “Grândola, vila morena”, de Zeca Afonso.

Estava dada a segunda senha, confirmando, por todo o país, que a Revolução seria para avançar. E os militares que estavam à escuta em diversos quartéis trataram de entrar em ação, para tomar pontos estratégicos, especialmente em Lisboa.

Não admira, por isso, que, apesar de ter sido a segunda música utilizada naquela noite para desencadear a Revolução, “Grândola, vila morena” se tenha identificado, desde a primeira hora, com o que aconteceu no dia 25 de abril de 1974, tornando-se um hino icónico.

Composta em 1964, após uma atuação de José Afonso na vila alentejana de Grândola, onde foi bem acolhido pela Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, a canção faz parte do álbum “Cantigas do Maio”, gravado na França, em 1971, com arranjos e direção musical de José Mário Branco.

“Apesar de não ser inicialmente concebida como uma canção de protesto, as mudanças feitas na altura da gravação atribuíram-lhe uma mensagem altamente política no contexto da ditadura do Estado Novo”, pelo que “’Grândola, vila morena’ tornou-se um símbolo da luta popular e um património nacional”. E a verdade é que foi uma das poucas canções de Zeca Afonso que escapou à censura que, aparentemente, não entendeu as referências ao povo, que é “quem mais ordena”.

Numa linguagem simples e com um ritmo de cadência quase militar, que faz lembrar o passo arrastado dos trabalhadores e dos cantores dos grupos tradicionais alentejanos, a canção evoca uma marcha libertadora, ao mesmo tempo que o coro oferece uma sensação de energia e de força.

“Grândola, vila morena” afirma-se, desta forma, como um verdadeiro hino que exalta a união, a força, a invencibilidade na construção de um tempo novo, marcado pelos valores humanistas da fraternidade, solidariedade, amizade, igualdade, em que "o povo é quem mais ordena":

“Grândola, vila morena,

Terra da fraternidade,

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade.”

Assinalando os 50 anos do 25 de Abril, a edição 25 de “A Cantiga é uma Arma” recorda esta canção escrita vários anos antes da Revolução, mas que adquiriu uma visão utópica, de sonho e de luta.

Vamos, então, ouvir – e cantar a versão original de “Grândola, vila morena”, com Zeca Afonso…


"Tanto mar" 

Para celebrar Abril e o impacto da Revolução dos Cravos a nível global, propomos ainda uma visita a Chico Buarque e ao tema “Tanto Mar”.

Trata-se de uma saudação de júbilo ao 25 de Abril, com uma letra que foi censurada no Brasil.

Para o futuro, ficou um verso memorável: “Foi bonita a festa, pá!”.

A Organização

quarta-feira, 24 de abril de 2024

A CAMINHO DOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL

“O TESOURO”, de Manuel António Pina

A Biblioteca Escolar partilha “O Tesouro”, de Manuel António Pina, com alunos do 1.º Ciclo.

Duas ideias trabalhadas com os mais novos:

  • “A Liberdade é como o ar que respiramos. Só quando nos falta, e sufocamos cheios de aflição, é que descobrimos que, sem ele, não podemos viver…”;
  • “(…) O tesouro pertence-te a ti, és tu que agora tens que cuidar dele, guardando-o muito bem no fundo do teu coração para que ninguém to roube outra vez.”

Viva a Liberdade!

Biblioteca Escolar

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Educação Pré-escolar apresenta trabalhos do concurso de leitura

Os três trabalhos selecionados pela Educação Pré-escolar (EPE), no âmbito da edição deste ano do concurso de leitura, estiveram patentes ao público na Biblioteca da Escola Básica Diogo Bernardes.

São peças artísticas inspiradas na obra “Os Dentuças – A Patrulha do Bem”, de Joana Luísa Matos, desenvolvidas com grande criatividade pelos finalistas da EB Diogo Bernardes e pelas salas da EPE das EB de Crasto e de Entre Ambos-os-Rios.

Trata-se do produto final de um longo processo em que, numa primeira fase, a Biblioteca Escolar proporcionou a cada uma das salas da EPE uma leitura expressiva da obra, assim procurando favorecer o gosto pelo mundo do maravilhoso, através do contacto com o livro e a leitura.

Seguiu-se “À Conversa com… Joana Luísa Matos”, uma sessão em que a pequenada teve oportunidade de conversar com a autora, que também é médica dentista.

Ao longo do encontro, num registo sempre muito próximo e interessante, a escritora ajudou os mais novos a reforçarem a autoconfiança e a ultrapassarem os seus múltiplos receios.

Fazendo apelo à imaginação e à riqueza sugestiva das ilustrações do livro, orientou ainda uma viagem fantástica com a Patrulha do Bem, ao encontro da Fada dos Dentes e dos duendes, com o objetivo de ajudar as crianças a vencer o monstro do medo e a consolidar comportamentos saudáveis, ao nível da higiene oral.

Os trabalhos selecionados vão receber o respetivo prémio, um cheque-livro patrocinado pela Câmara Municipal, por ocasião da Feira do Livro, que está agendada para a penúltima semana de maio.

A Organização

quinta-feira, 18 de abril de 2024

A CANTIGA É UMA ARMA

“E depois do adeus” (1974)

A uma semana da passagem dos 50 anos da Revolução dos Cravos, a edição 24 de “A Cantiga é uma Arma” dedica a sua atenção àquela que funcionou como primeira senha do Golpe de Estado.

Falamos de "E depois do adeus", uma canção interpretada por Paulo de Carvalho, que venceu a décima segunda edição do Grande Prémio TV da Canção, atual Festival RTP da Canção, realizada a 7 de março de 1974. 

Com a sua transmissão pelos Emissores Associados de Lisboa, às 22 horas e 55 minutos, do dia 24 de abril, era dado o primeiro sinal para as tropas se prepararem e estarem a postos.

O sinal de saída dos quartéis iria para o ar cerca de uma hora e meia depois, mais precisamente, às 00h20m, quando a Rádio Renascença emitiu a canção “Grândola, vila morena”, de Zeca Afonso, esta, sim, uma música claramente política e de um autor proibido.

A razão da escolha de "E depois do adeus" é clara: em primeiro lugar, porque não tinha conteúdo político e, sobretudo, porque, à época, era muito popular por ter acabado de vencer o Festival RTP da Canção. Ao não levantar suspeitas, funcionou como primeiro teste, deixando em aberto a possibilidade de as operações serem canceladas se, entretanto, os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para avançar com a Revolução.

Embora o título, em retrospetiva, pareça remeter para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é um tema de amor sem conteúdo político, ao contrário, por exemplo, da vencedora do ano anterior, “Tourada”, com Fernando Tordo, de que falamos na edição 17 de “A Cantiga é uma Arma”, a 15 de fevereiro.

Segundo o próprio Paulo de Carvalho, a música foi composta por José Calvário “em viagens de avião” e o poema “são bocadinhos de cartas que o José Niza escrevia à mulher”, quando estava na tropa, em Angola”, durante a guerra do Ultramar.

Esta passagem fala por si:

        “Quis saber quem sou,

        O que faço aqui,

        Quem me abandonou,

        De quem me esqueci.

        Perguntei por mim,

        Quis saber de nós,

        Mas o mar

        Não me traz

        Tua voz.”

A uma semana dos 50 anos do 25 de Abril, vamos ouvir – e cantar – “E depois do adeus”, com Paulo de Carvalho.

A Organização

quinta-feira, 11 de abril de 2024

A CANTIGA É UMA ARMA

"Parva que sou" (2011)

Nas duas últimas edições de “A cantiga é uma arma”, propusemos um exercício de cidadania, com dois temas que refletem o “E depois do 25 de Abril?”: “Uns vão bem e outros mal”, uma canção de Fausto, de 1977, e “Eu vim de longe, eu vou p’ra longe”, de José Mário Branco, corria o ano de 1982.

A duas semanas da passagem dos 50 anos da Revolução dos Cravos, prosseguimos esta visita ao álbum das cantigas de sobressalto cívico, de inquietação, de inconformismo, em tempos de democracia.

Nesta viagem no tempo, podíamos ir ao encontro de Dino d'Santiago, de A Garota Não, da banda “Fado Bicha” ou de novos estilos como o rap

Na edição desta semana, a número 23 de “A cantiga é uma arma”, optamos, isso sim, por recuar a 2011, ao encontro dos “Deolinda”.

Quase quatro décadas depois do 25 de Abril, a banda de Ana Bacalhau dá voz à indignação de uma geração, através da canção “Parva que sou”, um tema não gravado, que foi interpretado pela primeira vez nos concertos nos Coliseus do Porto e de Lisboa, em janeiro de 2011.

Com o país mergulhado numa grave crise, que culminaria, poucos meses depois, no pedido de ajuda externa, de que resultaria a intervenção da chamada Troika, “Parva que sou” foi a senha que substanciou a revolta, a angústia, o desapontamento, a frustração de uma geração nascida e formada em liberdade, mas que, apesar de ser a mais bem preparada de sempre, parecia estar condenada a viver pior do que os seus pais.

Afinal, parecia ter sido enganadora a máxima de que convinha “estudar para ser alguém na vida”. Estávamos em janeiro de 2011 e aquilo que os jovens diplomados conseguiam eram empregos incertos e/ou funções desajustadas da sua formação universitária e com salários baixos. E, ainda por cima, havia o risco do conformismo e da apatia cívica. 


É neste contexto que surge a canção “Parva que sou”, um grito de cidadania na luta pela dignidade perdida: 

        “E fico a pensar: que mundo tão parvo

        Onde para ser escravo é preciso estudar.

        Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”

        Há alguém bem pior do que eu na TV.

        Que parva que eu sou!”

A cantiga desta semana “não é uma canção datada. Não é uma canção de intervenção, de incentivo à agitação. É antes uma canção de revolta. Intemporal. Desalentada. De desapontamento pelos valores por que se lutou em (e pela) liberdade” (“Expresso”/ “Blitz”, 30/01/2022).

A duas semanas dos 50 anos do 25 de Abril, vale a pena (re)visitar “Parva que sou” e pensar, por exemplo, nos desafios que os jovens de hoje têm pela sua frente, em plena sociedade democrática nascida com a Revolução dos Cravos. Porque, como dizia Zeca Afonso, numa entrevista em 1985, “o que é preciso é criar desassossego.” 

Vamos, então, ouvir – e cantar – “Parva que sou”, com os “Deolinda” e a voz de Ana Bacalhau…

A Organização 

sexta-feira, 22 de março de 2024

DIA MUNDIAL DA POESIA

Sarau de Poesia celebra 

os valores de Abril

Os valores de Abril deram vida ao Sarau que, assinalando o Dia Mundial da Poesia, tratou de celebrar Abril e as portas que Abril abriu.

A sessão aconteceu no Auditório Municipal, que se revelou demasiado pequeno, tal a afluência de alunos, encarregados de educação e familiares em geral, e também de professores e de outros membros da comunidade educativa.

Numa iniciativa da Biblioteca Escolar e do Projeto Cultural do Agrupamento, em articulação com o Grupo de Português e os Pelouros da Educação e Cultura da Câmara Municipal, o Sarau Poético foi uma verdadeira Festa da Palavra, em que a leitura e a música se conjugaram harmoniosamente, dando aos participantes a oportunidade de partilhar as suas emoções e de aprofundar a reflexão sobre as conquistas de Abril, nomeadamente a Liberdade e a Cidadania.

De uma forma abrangente, alunos do 1.º Ciclo ao 12.º ano de várias escolas do Agrupamento e ainda familiares e professores fizeram questão de dar voz à Palavra feita música e Poesia, celebrando a criatividade, a inspiração poética e os valores de uma sociedade democrática.


Nas suas mensagens, tanto o Dr. Soares Alves, Subdiretor do Agrupamento, como o Dr. José Alfredo Oliveira, Vice-presidente da Câmara Municipal, felicitaram os participantes na iniciativa, assim como os seus organizadores, enaltecendo o poder da Palavra e chamando a atenção para a necessidade de cuidar a Democracia e a Liberdade.

Biblioteca Escolar