Glória a Deus e Paz na terra,
Cantavam os anjos no céu
Quando o Menino nasceu…
Eis
a Boa-nova: com o Natal, chegou o Príncipe da Paz!
E
de Paz muito se tem falado, mais ainda por estes dias, marcados pela guerra,
sempre bárbara e cruel.
Amanhã,
primeiro dia do Ano Novo, celebra-se mais
um Dia Mundial da Paz. É assim que acontece
desde 1968.
À época, a guerra no Vietname dominava as
preocupações dos homens de boa vontade.
58 anos depois, a Humanidade parece não ter
aprendido nada ou quase nada. À entrada de 2026, estamos longe de uma terra
“liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história
do mundo um devir mais feliz”, como nessa altura desejou o Papa Paulo VI, na sua
primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz.
À entrada de 2026, ninguém fica
indiferente, sobretudo às vítimas mais frágeis e indefesas da guerra, as
crianças da Ucrânia, da Faixa de Gaza, do Sudão e de tantas outras geografias,
onde a força das armas persiste em destruir a Paz.
São
vítimas inocentes do século XXI, que nos lembram os Santos Inocentes de há dois
mil anos, que a liturgia católica celebrou no dia 28 de dezembro.
Foram
as primeiras vítimas do nascimento do Príncipe da Paz. O sanguinário rei
Herodes, temendo vir a perder o seu poder, não hesitou em eliminar Jesus e para
isso mandou matar todas as crianças de Belém e de todo o seu território, com
menos de dois anos, conforme narra o evangelista Mateus.
Vinte
séculos passados, a loucura da tirania continua a fazer vítimas entre as
crianças e a tornar presente esta “História Antiga”, poeticamente celebrada por
Miguel Torga:
“Era
uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio
bicho, de resto:
Uma
cara de burro sem cabresto
E
duas grandes tranças.
A
gente olhava, reparava, e via
Que
naquela figura não havia
Olhos
de quem gosta de crianças.
E,
na verdade, assim acontecia.
Porque
um dia,
O
malvado,
Só
por ter o poder de quem é rei
Por
não ter coração,
Sem
mais nem menos,
Mandou
matar quantos eram pequenos
Nas
cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por
acaso ou milagre, aconteceu
Que,
num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas
mãos de sangue um pequenito
Que
o vivo sol da vida acarinhou;
E
bastou
Esse
palmo de sonho
Para
encher este mundo de alegria;
Para
crescer, ser Deus;
E
meter no inferno o tal das tranças,
Só
porque ele não gostava de crianças.”
Feliz
Ano Novo!
Que
2026 seja um ano cheio de Luz e de Paz!
Professor Luís Arezes

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